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Le corps entre le désir et la jouissance

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Le corps entre le désir et la jouissance1 2

« Wo es war, soll Ich werden », Freud, plus, encore

La première expérience du corps surgit de l’inconfort contrasté par une jouissance inespérée, d’une satisfaction qui immédiatement se dérobe, une jouissance perdue de quelque chose qui s’échappe. Ce manque irréparable relance le désir toujours en déficit, insatisfait, désir condamné à se chercher, forgeant le sujet comme sujet du désir.

Entre la hâte et la souffrance, entre le manque et la dévastation ( ?), entre l’attendu et l’obtenu, entre l’être et le fait de se lancer/y aller, entre la cause et la jouissance, le corps équilibriste expérimente dans la vie a satisfaction fugace, sans laquelle « l’univers serait vain3… » (quelqu’un le nie ?) ou, à l’autre extrémité, la désistée mélancolique, corps mortellement blessé de ne pas tout avoir. Si le corps persiste, insiste entre l’érection et son apaisement, l’un demande l’autre et il n’y a de pouvoir qui ne rencontre sa limite, dans la limite de l’autre. Entre satisfaction atteinte et celle de l’idéal inatteignable, il y a la limite tierce du réel qui empêche la totalisation. Le désir castré, analytiquement orienté, finit par rencontrer la jouissance « pas-toute » (incomplète ?).

Avec le signifiant, le corps est la résistance matérielle du sujet évanescent : le corps incite à la jouissance et l’autre pôle dit stop ! à la jouissance, même si c’est avec sa mort. Il n’y a de corps qui ne s’implique pas et ne s’affirme pas, même s’il se présente en défaveur (en perte ?), dans l’invisibilité, ou soutenant son vide… les anorexies. Il n’y a de corps en dehors du corpus politique, et si le sujet fuit, le corps confesse/avoue( ?) : où ça jouit, soumis, despotique, soit, symptomatique (ou sinthomatique ?), l’être parlant était déjà, sans voix, car nous ne pouvons dire réellement qu’il y ait un sujet de la jouissance.

Des corps déjettes, abjectes qui ont été ça, qui sont toujours ça, combien de sujets ont été, combien auraient pu encore être ? Même étant déjà en partie, et de structure, citoyens de l’exil ? Immigrants, enseignants, artisans, poètes, miniers…

L’éthique de la psychanalyse implique rigoureusement une politique de l’acte analytique : où ça se donnait, d’est donné, se donnera, je dois moi, advenir comme différence. Différence qui ne rivalise ni dispute, différence non relative, mais différence incomparable, dite par Lacan, différence absolue. Chacun comme singularité. Tous comme tout un chacun (unique).

Les considérables destructions du temps présent, certes terrifiantes, vont dans le sens de notre millénaire saga humaine. Serait-il impensable la contingence d’une politique qui promeut un impératif éthique de temps à venir ? Serait-il impossible une politique qui veuille repenser le processus civilisationnel, au-delà de répéter que nous sommes tous sur le même bateau ?... car si nous y sommes, il est étrange que tant de voyageurs se dédient à le couler, convaincus que le bateau appartient à u, autre. Devant cela, nous délivrons tel un pari, le pouvoir aux impossibles (impossibilités ?) : qui sait puisse ça, sans place dans le corpus social, ça qui, si fréquemment, s’isole comme jouissance dans de terribles ségrégations (avec les meilleures intentions), se faire cause d’un désir qui implique le collectif ? Qui sait l’audace serait celle de reprendre l’action spécifique, réel présence de l’autre, de la première expérience de satisfaction4, où la jouissance, se perdant comme tout, offre le reste qu’il cause ? Serait-il impossible faire de cette offre la cause d’une communauté devenant expérience d’une satisfaction non pas narcissique, mais d’une satisfaction désirante et inédite au point de se nommer enthousiasme ?

Août, 2019,

Barbara Guatimosim

O corpo entre o desejo e o gozo

“Wo Es war, soll Ich werden”, Freud, mais, ainda

A primeira experiência do corpo surge do desconforto contrastado por um gozo inesperado, de uma satisfação que imediatamente se furta, um gozo perdido de algo que escapa. Essa falta irreparável relança o desejo sempre em déficit, insatisfeito, desejo condenado a buscar-se, forjando o sujeito como sujeito do desejo.

Entre a ânsia e o sofrimento, entre a falta e a devastação, entre o esperado e o obtido, entre o ser e o lançar-se, entre a causa e o gozo, o corpo equilibrista experimenta na vida a satisfação fugaz, sem a qual “o universo seria vão”5 (alguém nega?) ou, no outro extremo, a desistência melancólica, corpo mortalmente ferido por não se ter tudo.

Se o corpo persiste, insiste entre o tesão e o seu sossego, um pede o outro e não há poder que não encontre seu limite, no limite do outro. Entre a satisfação alcançada e aquela do ideal inatingível, há o limite terceiro do real que impede a totalização. O desejo castrado, analiticamente orientado, termina por encontrar o gozo não-todo.

Juntamente com o significante, o corpo é a resistência material do sujeito evanescente: o corpo incita ao gozo e no outro pólo diz alto! ao gozo, mesmo que seja com sua morte. Não há corpo que não se implique e que não se afirme, mesmo que se apresente em desvalia, na invisibilidade, ou sustentando seu vazio.... as anorexias.

Não há corpo fora do corpus político, e se o sujeito se esquiva, o corpo confessa: onde isso só goza, submetido, despótico, ou seja, sintomático, o ser falante já era, sem voz, pois não podemos em rigor dizer que há sujeito do gozo.

Dos corpos dejetos, abjetos que foram isso, que ainda são isso, quantos sujeitos teriam sido, quantos ainda poderiam ser? Mesmo já sendo em parte, e por estrutura, cidadãos do exílio?

Imigrantes, professores, arteiros, poetas, mineiros...

A ética da psicanálise implica rigorosamente uma política do ato analítico: onde isso se dava, se deu, se dará, devo eu, sujeito, advir como diferença. Diferença que não rivaliza ou disputa, diferença não relativa, mas diferença incomparável, dita por Lacan, diferença absoluta. Cada um como singularidade. Todos como cada único.

Os consideráveis estragos do tempo presente, ainda que assustadores, não destoam de nossa milenar saga humana. Seria impensável a contingência de uma política que promova um imperativo ético de um tempo por vir? Seria impossível uma política que queira repensar deveras o processo civilizatório, além de apenas repetir que estamos todos no mesmo barco?... pois, se estamos, é estranho que tantos tripulantes se dediquem a afundá-lo, convictos de que o barco é do outro.

Diante disso, entregamos em aposta o poder aos impossíveis: quem sabe possa isso, tão sem lugar no corpus social, isso que, com tanta frequência, se isola como gozo em terríveis segregações (com as melhores intenções), fazer-se causa de um desejo que implique o coletivo? Quem sabe a ousadia seria tão somente retomar a ação específica, real presença do outro, da primeira experiência de satisfação6, onde o gozo, ao perder-se como todo, oferece o resto que causa? Seria impossível fazer dessa oferta causa de uma comunidade ao tornar-se experiência de uma satisfação não de todo narcísica, de uma satisfação desejante e inédita a ponto de chamar-se entusiasmo?

Agosto, 2019, Bárbara Guatimosim

Notes

  1. Traduction de Véra De Castro Lourenço, psychologue clinicienne et interculturelle, que nous remercions.
  2. Ce texte de Barbara Guatimosim, issu d’une conférence, vient dans la foulée du travail de cartel franco-brésilien que nous avons engagé, Barbara Guatimosim, Benoit Le Bouteiller (Belo Horizonte, Brésil) et Jacques Cabassut, Guillaume Nemer, Joseph Rouzel (Montpellier, France. Faisant fonction de « plus un », nous avons posée en ligne d’horizon l’organisation d’un colloque à Belo Horizonte en 2021.
  3. LACAN, Jacques. “Il s’appelle Jouissance, et est celui dont le manque rendrait vain l’univers”. Subversion du sujet et dialétique du Désir, Ecrits, p. 834.
  4. “o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais.” Freud, A experiência de satisfação, Projeto para uma psicologia Científica (1895), In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas de Sigmung Freud, V.I, p. 422.
  5. LACAN, Jacques. “Chama-se o Gozo, e é aquele cuja falta tornaria vão o universo”. Subversão do sujeito e dialética do Desejo, In Escritos, p. 834.
  6. “o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais.” Freud, A experiência de satisfação, Projeto para uma psicologia Científica (1895), In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas de Sigmung Freud, V.I, p. 422.
Citer ce texte

Barbara Guatimosim, « Le corps entre le désir et la jouissance », L’@psychanalyse, 2 décembre 2019. En ligne : https://www.apsychanalyse.org/textes/barbara-guatimosim-le-corps-entre-le-desir-et-la-jouissance (consulté le JJ/MM/AAAA).

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